sábado, 5 de outubro de 2013

DESABAFO DO CORAÇÃO



Barra do Bugres, 5 de outubro de 2013
Prezados amigos e familiares.

Há uns 6 a 7 anos atrás senti que estava precisando fazer uma faxina em mim...
 Jogar alguns pensamentos indesejados fora, lavar alguns tesouros que andavam meio enferrujados foi então que resolvi tirar do fundo das gavetas, lembranças que não usava e não queria mais.
Comecei jogando fora alguns sonhos, algumas ilusões como se fossem aqueles papéis de presente que se guarda e que nunca se usa, sorrisos que nunca daria se não limpasse - me e assim fui jogando fora a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que não li...
Olhei para meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas. Foi ai que decidir coloca-la num cantinho tudo bem classificadas e arrumadinhas.
Fui ficando sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão:
Sonhos e paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de amigos, parentes, lembranças de um dia triste... Mas, lá também havia outras coisas belas! Um beija-flor na qual passei a chama-lo de Vini que entre uma visita e outra  no varal de casa e que cantando olhava-me  a preencher os diários de alunos, as noites que  eu ali deitada na rede olhava a lua cor de prata e muitas vezes ao acordar via o nascer-do-sol, meus pensamentos embaralhavam sempre, me sentia infeliz, sem rumo só o trabalho arduo preenchiam aquele vazio de minha alma.
E assim ia me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças...
Muitas vezes sentada no chão daquela varanda para poder fazer minhas escolhas.
     Certo dia decidir e jogar tudo que me incomodava direto no saco de lixo, os restos de um amor que já havia morrido dentro do meu coração e que  sem querer nos magoava sem saber os porquês.
 Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as usava mais. E também joguei fora no mesmo instante! Outras coisas que ainda me magoava, coloquei-o num canto para depois ver o que faria com elas, se as esquecia de lá mesmo ou se mandava para o lixão. Aí, fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: O amor, a alegria de ter quatros filhos maravilhosos, os sorrisos do passado, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos...
Como foi bom relembrar tudo aquilo!
    Recolhi com carinho o que se diz “amor próprio” que naquele momento senti ter  encontrado, dobrei direitinho o desejo, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as à mostra para não perdê-las de vista. Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, essas doeram ao recordar, na gaveta de cima as da minha juventude reprimida e, pendurado bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar e de recomeçar!
Recomecei tudo do zero, reorganizando tudo na gavetinha da solidão, sozinha, mas alegre por reconhecer-me. No entanto, com o passar dos anos veio à necessidade de dividir esse recomeço com outra pessoa e foi o que aconteceu, apesar de ser consciente que isso poderia trazer recusa, tristeza e até ressentimento por parte de outras pessoas do meu convívio, mas como minha faxina foi satisfatória a mim, aqui estou a relatar minhas atitudes e dizer que neste momento da vida me sinto realizada e feliz.
Abraços a todos que ler minha carta de desabafo.
Jurandina Barbosa

2 comentários:

Divanez Correia disse...

Li o texto e me angustiei durante a leitura, mas, ao final senti-me aliviada. Enquanto lia, fui olhando para trás e me perguntando se eu deveria fazer tal faxina. Mas o que jogar fora? Ao final da leitura, orei e tive uma resposta satisfatória. Uma voz dizia: “você não tem lixos acumulados, pois realiza faxina mental todos os dias, o que você precisa é se aproximar mais das pessoas, principalmente dos familiares, pois andas muito distante, isolada; nenhum telefonema, nem mesmo pra quem está mais próximo. Obrigada pela reflexão que o relato traz.

Jurandina Barbosa disse...

Obrigada
Sempre temos uma coisinha e outra que nos incomoda e essa limpeza nos faz viver melhor.
O tempo disponível tem feito de mim uma mulher bem mais reflexiva.
xero